Plano de classificação

Flagrantes do Momento (1966-03-11)Data de Produção Inicial:1966-03-11Nível de Descrição:Documento simples - RecortesSuporte:PapelMenções de Responsabilidade:Costa, SeverinoFunção: Autor da publicaçãoPublicado em:Nome da publicação: Jornal - O Comércio do PortoLocal de edição: PortoÂmbito e Conteúdo:"Onde haja uma nesga de terra, seja muito embora terra lamacenta e entulheira ou lugar de despejos, lá estão os garotinhos dos bairros pobres a brincar. Há na cidade, distribuidos pelos seus quatro pontos cardeais, locais que podiam ser adaptados a pequenos retiros para crianças: uma relva, uma vedação com arbustos, nada mais, isso bastaria para que estas centenas de crianças que brincam nos charcos e na terra poeirenta, pudessem brincar sem danos para a sua saúde. Mas nesta terra há o conceito, que nos abstermos de classificar, de que todos os terrenos disponíveis devem ser aproveitados (ou menos inaproveitados) para tudo, excepto para se dar alguma coisa à criança.
Este nosso «flagrante» de hoje, não foi procurado; veio ao nosso encontro, algures num desses bairros abandonados, da cidade. Bairros onde não chegam as vassouras municipais nem as verbas orçamentadas; que já eram assim na nossa infância, e que assim continuam sendo. As crianças crescem na rua, expostas aos perigos de todas as contaminações e de todas as violências do tráfego que aumenta dia a dia. Os anos decorrem sem que, nos planos de actividades camarárias, se inscreva uma verba, modesta muito embora, para serem plantados relvados e criados pequenos recintos onde os rapazinhos pobres possam entregar-se às suas brincadeiras.
A nossa teimosia em debater este problema - um deles - da criança vianense, está na razão directa da teimosia camarária, em não dar um mínimo de atenção a um problema que é da maior acuidade aqui, como em todo o Mundo."
Idioma/Escrita:PortuguêsCódigo de Referência:PT/MVCT-AMVCT/APSS/SC/3-1/1/3/6