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Flagrantes do Momento (1966-03-12)Data de Produção Inicial:1966-03-12Nível de Descrição:Documento simples - RecortesSuporte:PapelMenções de Responsabilidade:Costa, SeverinoFunção: Autor da publicaçãoPublicado em:Nome da publicação: Jornal - O Comércio do PortoLocal de edição: PortoÂmbito e Conteúdo:“Às 10 horas da manhã, o Mercado e redondezas, é todo um fervilhar de gente que compra ou vende; curiosos deambulam, agradados daquele ruído e movimento. Todos os que têm coisas para vender, ali vão - seja o herbanário ou o das colchas, vendedores ambulantes de todas as feiras e de todas as lutas pela vida; seja a gente das aldeias que à feira traz tudo - desde a salsa às maças bichosas; desde a batata aos gordos coelhos.
Ali, no terreiro em que agora está transformado o Largo das Almas, tendo ali ao lado, de mistura com este mercadejar caótico, a velha Igreja que foi matriz da vila, os mais humildes e pobres de todos quantos na feira pretendem vender: os vendedores de cordas velhas e de rudimentares tapetes feitos com o mesmo material; não têm escaparate - o escaparate é o chão. De pé, dois homens e duas mulheres, gente humilde dos lados da Ribeira, vendem cordas velhas à gente das aldeias; é um negócio que rende uns magros escudos, negócio pobre de gente pobre, ali no chão que foi Adro da Matriz Velha - enquanto ao lado um vendedor de grandes falas, faz prestidigitação com baralhos de cartas...
Luz e sombra, assim é a vida; a uns ilumina-lhes o caminho, inundando-o de fartura; a outros carrega-lhe nas tintas negras, para lhes dar, com sofrimentos, o magro pão de cada dia.”
Idioma/Escrita:PortuguêsCódigo de Referência:PT/MVCT-AMVCT/APSS/SC/3-1/1/3/7