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Flagrantes do Momento (1966-03-24)Data de Produção Inicial:1966-03-24Nível de Descrição:Documento simples - RecortesSuporte:PapelMenções de Responsabilidade:Costa, SeverinoFunção: Autor da publicaçãoPublicado em:Nome da publicação: Jornal - O Comércio do PortoLocal de edição: PortoÂmbito e Conteúdo:"A venda de ouriços do mar, é o negócio mais pobre de todos os que se fazem nas imediações do Mercado. Não há mercadoria mais barata, não há negócio mais magro. Dez ouriços, dez tostões! Para apanhar dez ouriços, as pobres mulheres têm que ir pela Veiga da Areosa fora, embrenhar-se nos penedos, saltar por cima das suas arestas vivas, meter-se n água do mar, jogar às escondidas com as ondas e com a maré, encharcarem-se. Dez ouriços, dez tostões! Comércio pobre pra gente pobre, porque, com excepção de um ou outro apreciador, só quem tem poucas posses é que come desta «mercadoria». No entanto, as mulheres lá regressam todos os dias, porque, pobre delas, precisam de ganhar a vida e se apanham 200 ouriços - em horas e horas de busca - e se têm a sorte de os vender, são 2 escudos que dão para a família comer umas batatas guisadas com uma amostra de bacalhau.
Negócio pobre, para gente pobre! Mas ele basta para fechar a porta à figura sinistra da fome, mais odiosa que as ondas do mar salgado..."
Idioma/Escrita:PortuguêsCódigo de Referência:PT/MVCT-AMVCT/APSS/SC/3-1/1/3/19