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Flagrantes do Momento (1966-03-27)Data de Produção Inicial:1966-03-27Nível de Descrição:Documento simples - RecortesSuporte:PapelMenções de Responsabilidade:Costa, SeverinoFunção: Autor da publicaçãoPublicado em:Nome da publicação: Jornal - O Comércio do PortoLocal de edição: PortoÂmbito e Conteúdo:"À uma hora de cada dia, em que é possível «ir ao mar», os marítimos de Castelo do Neiva levantam-se, envergam as suas pesadas roupas, calçam botas de borracha, e seguem para a praia - ali não há porto nem molhes. Partem à procxura dos pesqueiros da faneca, e na labuta ficam até de manhã; feita a pesca, regressam em direção a Viana e, em geral, acostam no Cabedelo; em pequenos batéis, vão depois desembarcar o pescado no cais do largo «5 de Outubro» ou noutro qualquer ponto do estuário; aí, enfiam os enormes cestos em fortes varas, colocam-nas ao ombro, e lá vão a caminho do Mercado; entregue a pescaria às mulheres ou a peixeiras, regressam a bordo. Simples, sério e certo. Rapazes de 17 ou 18 anos, rostos sérios, pessoas simples, homens certos no trabalho. Através da cidade, o seu vaivém é histórico e cíclico: assim vem dos pais, assim continua nos filhos. Pescadores da costa, onde não há porto nem molhes, para eles os perigos do mar são maiores e mais constantes - e uma vida precária os mantém na pobreza, pois, às vezes passam-se meses, sem que possam galgar as ondas, a baterem na praia com os punhos fechados, enraivecidos e contentes de verem os batéis varados, navegando em areia batida de temporais."Idioma/Escrita:PortuguêsCódigo de Referência:PT/MVCT-AMVCT/APSS/SC/3-1/1/3/22