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Flagrantes do Momento (1966-04-05)Data de Produção Inicial:1966-04-05Nível de Descrição:Documento simples - RecortesSuporte:PapelMenções de Responsabilidade:Costa, SeverinoFunção: Autor da publicaçãoPublicado em:Nome da publicação: Jornal - O Comércio do PortoLocal de edição: PortoÂmbito e Conteúdo:"Qualquer pessoa medianamente ilustrada ou ledora, conhece as páginas de Ramalho Ortigão, dedicadas às feiras semanais de Viana.
Escritas embora há muitos anos, poderiam elas sê-lo ainda hoje, porque o carácter e o pitoresco das nossas feiras, não foi ainda subvertido pelas novas modas e pelo império motorizado. É certo que muito do que Ramalho observou, principalmente na questão de indumentária, desapareceu; mas o nosso povo, pelo seu temperamento, mentalidade e conceito de vida, sustenta o mesmo clima que Ramalho apreciou; adaptando-se, embora, a determinadas normas atuais, o seu fundo psicológico mantém-se quase intacto. É bom? é mau?
Confessamos que gostaríamos de ver o nosso povo mais evoluído mentalmente e mais rico no sentido económico. Não gostamos de ver, em nossa volta, um povo pobre e resignado, atido a uma economia precária, vivendo rudimentarmente, quase sem acesso a tanta coisa boa que a vida hoje dá. E, de mais a mais, conformado com a sua sorte.
O artesanato é, em certas facetas, um aspeto da vida pobre. Estecesteiro de Anha conserta cestos na feira da Praça General Barbosa, tira um salário magro, quando, normailmente, podia ser um bom operário em qualquer fábrica. Atento à sua labuta e ao cuidado deste conserto, este homem ainda novo, resigna-se ao seu viver de artesão. O «plástico» quase acabou com o trabalho de cestos em vime; mas o velho costume resiste e por isso o cesteiro faz falta.
Em Viana, há poucos anos ainda, havia famílias de cesteiros. Eram mesmo conhecidos por «Cesteiros», como se tratasse de um apelido familiar. Havia-os no Altamira e na Rua Grande. Hoje, não há um único! Nas próprias aldeias, desaparecem muitos, porque mortos os antigos, os seus descendentes enveredaram para outros ofícios.
A nossa fotografia de hoje, fixa um flagrante actual. Servirá para que um dia os cronistas façam história e se conheçam estes promenores cheios de interesse, da vida atual."
Idioma/Escrita:PortuguêsCódigo de Referência:PT/MVCT-AMVCT/APSS/SC/3-1/1/3/26