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Flagrantes do Momento (1966-04-20)Data de Produção Inicial:1966-04-20Nível de Descrição:Documento simples - RecortesSuporte:PapelMenções de Responsabilidade:Costa, SeverinoFunção: Autor da publicaçãoPublicado em:Nome da publicação: Jornal - O Comércio do PortoLocal de edição: PortoÂmbito e Conteúdo:"Os mercados são iguais em todo o Mundo - iguais na psicologia dos que vendem e compram, iguais nas manhãs, iguais nas artimanhas e é bem certo que cada homem tem dentro de si um pouco de mistificador, de trampolineiro e de desonesto. Nós mesmo, quando comprámos, somos todos comerciantes, todos procuramos utilizar a palavra para encobrir o pensamento, todos desejamos «levar» o que nos vende - tal e qual o que vende nos pretende «levar» a nós.
Há exceções, porém. E uma delas aqui o damos ao leitor de hoje: vimos esta anciã vendendo rosários e «santinhos», montados em molduras de plástico reluzente e tentador. Mas, ou por temperamento, ou por fadiga já; ou indiferença pelo êxito do negócio, estivemos a apreciar: ela colhia o freguês com indiferença, não discutia nem mostrava qualquer intenção de vender, mesmo à custa de descontos ou abatimentos. «Custa tanto, é quanto custa!» E enfastiada, voltava as costas à mulher da aldeia, marralheira e quezilenta.
Comprar e vender - encruzilhada de palavras e gestos, de manhãs e artimanhas, nisso está o pitoresco das feiras; que de um modo tão estranho se parecem com a própria essência da vida: rasgos de sinceridade, imensidade de mistificações."
Idioma/Escrita:PortuguêsCódigo de Referência:PT/MVCT-AMVCT/APSS/SC/3-1/1/3/36