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Flagrantes do Momento (1966-04-22)Data de Produção Inicial:1966-04-22Nível de Descrição:Documento simples - RecortesSuporte:PapelMenções de Responsabilidade:Costa, SeverinoFunção: Autor da publicaçãoPublicado em:Nome da publicação: Jornal - O Comércio do PortoLocal de edição: PortoÂmbito e Conteúdo:"Barcos parados sob a chuva! Eis um espetáculo que sugere tristeza.
No porto, aqui onde nos dias de pesca é fervilhar de povo, vida, gritos, chamamentos, nem viva alma. Uma chuva miudinha vai caindo, enquanto a névoa penetrante, tangida do vento sul, cobre o ridente panorama e tira à cidade toda a sua graça e beleza. As cores são baças e imprecisas, a gente que passa vai de cabeça baixa; e sente-se que esta ausência de vida empresta a este recanto da cidade, um ar de terra-fantasma de onde fugiu toda uma espécie de movimento de essência de vida. Nem gaivotas andam, voejando sobre os barcos, porque elas «cheiram» o mau tempo à distância, indo refugiar-se lá para cima das ínsuas, onde mal chega o ar salgado.
Inverno em plena Primavera, já pertinho do Verão, eis o que nos dá este tempo neurastenizante. Se uma nesga azul ou um raios de sol rompe e, por momentos, alegra a gente, logo as pesadas nuvens recomeçam rolando do mar, lançando sobre a cidade as suas sombras malfazejas. Castigo de Deus, este tempo que entristece tudo, a terra e os corações!"
Idioma/Escrita:PortuguêsCódigo de Referência:PT/MVCT-AMVCT/APSS/SC/3-1/1/3/37